quinta-feira, 24 de maio de 2018

APELO ÀS EMISSORAS TELEVISIVAS

Nos últimos anos temos assistido a um desvirtuar total do desporto enquanto actividade de valores, de humanismo. A luta de palavras invadiu a normalidade dos noticiários e as agressões verbais tornaram-se a norma num ecossistema que parece alimentar-se dessa mesma violência.

Abarcando cada vez mais espaço nas mentalidades, os programas de comentário desportivo levam, muitas vezes, ao limite do inimaginável o prazer do azedume, da acusação, da maledicência. É a prática constante de uma violência verbal que alimenta essa voragem em que cada vez mais cidadãos se encontram, fechados nesse clima de intriga, ruminando um ódio que pode eclodir a qualquer momento.

Com uma grelha televisiva centrada nestes debates, muitos jovens não resistem à tentação dessa presença contínua nas televisões, sorvendo uma cultura que gera o ódio, que incita à violência e que desagrega a sociedade como um espaço de fraternidade e de paz.

Pelas consequências vistas nos últimos anos; Pelas consequências vistas nos últimos dias;Porque é preciso restituir dignidade aos telespectadores, lançamos um APELO aos canais televisivos para que criem mecanismos de regulação ética que enquadrem estes debates, e para que reduzam o tempo de exposição das dimensões colaterais ao futebol, fomentando uma cultura de respeito e de tolerância, sendo esses programas instrumentos de diálogo e de compreensão através do debate livre, e não ferramentas de disseminação do ódio em que parte do país se acha mergulhado, moldando mentalidades.

21 de Maio de 2018.

Promotores:
Paulo Mendes Pinto, Prof. Universitário
António Serzedelo, Activista cívico
Catarina Marcelino, Deputada
José Eduardo Franco, Prof. Universitário
Patrícia Reis, Jornalista e escritora
Pedro Abrunhosa, Músico

Assinam:
Alexandre Castro Caldas, Médico
Alexandre Honrado, Escritor
Anabela Freitas, Presidente da C.M. de Tomar
Anabela Mota Ribeiro, jornalista 
Annabela Rita, Directora da Associação Portuguesa de Escritores
Ana Umbelino, Vereadora da C. M. de Torres Vedras
António Araújo, Prof. Universitário
António Avelãs, Prof. Universitário
António Borges Coelho, Prof. Universitário
António Pinto Pereira, Advogado
Berta Nunes, Presidente da Câmara Municipal de Alfândega-da-Fé
Carlos Bernardes, Presidente da C. M. de Torres Vedras
Carlos Fiolhais, Prof. Universitário
Carlos Moreira Azevedo, Bispo
Carlos VargasGestor Cultural
Cipriano Justo, Médico
Cláudia Horta Ferreira, Vereadora da C. M. de Torres Vedras
Elísio Summavielle, Gestor Cultural
Eugénio Fonseca, Presidente da Cáritas Portuguesa
Fernanda Câncio, Jornalista
Fernando Pereira, Cantor
Fernando Ventura, Frade Franciscano Capuchinho
Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista
Graça Morais, Pintora
Henrique Pinto, Fundador-Presidente da Impossible – Passionate Happenings
Jaime Ramos, Médico, Fundador da ADFP
João de Almeida Santos, Prof. Universitário
João Couvaneiro, Vice-Presidente da C. M. de Almada
João Paulo Leonardo, Director do Agrupamento de Escolas Baixa-Chiado
Joaquim Franco, Jornalista
Joaquim MoreiraQuórum dos Setenta da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
Joaquim Pintassilgo, Prof. Universitário
Jorge Proença, Director da Fac. de Ed. Física e Desporto da Un. Lusófona
José Maria Brito, Pe. Jesuíta
José Vera Jardim, Jurista
Mafalda Anjos, Jornalista
Mário Beja Santos, Escritor
Manuel Sérgio, Provedor de Ética no Desporto
Manuel Vilas Boas, Jornalista
Mendo Castro Henriques, Prof. Universitário
Miguel Real, Escritor
Nidia Zózimo, Médica
Nuno Camarneiro, Escritor
Nuno Júdice, Poeta
Patrícia Fonseca, Jornalista
Paulo BorgesProf. Universitário e Presidente do Círculo do Entre-Ser
Paulo Fidalgo, Médico
Rachid Ismael, Director do Colégio Islâmico de Palmela
Raul Castro, Presidente da C. M. de Leiria
Richard Zimler, Escritor
Rui Martins, Vereador Suplente na C. M. de Lisboa
Sofia Lorena, Jornalista
Tânia Gaspar, Dirigente Associativa
Zara Pereira, Presidente da Associação Humano

sábado, 19 de maio de 2018

Quatro Passos para conseguir a Verdadeira Felicidade

Por Kathy Roman.


‘Abdu'l-Bahá, o filho do profeta Bahá’u’lláh, costumava falar para congregações e convidados com esta pergunta simples, mas profunda: “Vocês são felizes?” Ele queria muito ver toda gente feliz e unida:
Não pensem em vocês próprios, mas pensem na Generosidade de Deus. Isso far-vos-á sempre felizes. Deveis estar sempre felizes. Deveis ser contados entre as pessoas de alegria e felicidade, e estar embelezados com a moral divina. Em grande medida, a felicidade preserva a nossa saúde, enquanto a depressão do espírito gera doenças. O essencial da felicidade eterna são a espiritualidade e a moralidade divinas, que não são acompanhadas pela tristeza. (‘Abdu'l-Bahá, citado em Vignettes from the Life of ‘Abdu’l-Bahá, p. 129)
Embora ‘Abdu'l-Bahá tenha sofrido bastante durante a maior parte da Sua vida, Ele manteve a sua felicidade:
Eu próprio estive na prisão durante quarenta anos; só um ano teria sido impossível de suportar; ninguém sobreviveu àquela prisão mais de um ano! Mas, graças a Deus, durante todos aqueles quarenta anos eu fui extremamente feliz! Todos os dias, ao acordar, era como se ouvisse boas notícias, e todas as noites a alegria infinita era minha. A espiritualidade era o Meu conforto, e voltar-Me para Deus era a minha maior alegria. Se não tivesse sido assim, acham que teria sido possível que eu pudesse ter sobrevivido a quarenta anos de prisão? (Paris Talks, p. 112)
Isso levanta a questão: porque é que algumas pessoas são mais felizes do que outras? No seu laboratório na Universidade de Wisconsin, o Dr. Richard Davidson dedicou a sua vida a investigar "cérebros felizes". Estudou os cérebros de monges budistas, homens que passam a vida a evocar deliberadamente emoções inspiradoras e os seus níveis notáveis de felicidade. Os dados do Dr. Davidson mostraram que, se alguém ficar sossegado durante meia hora por dia, pensando apenas em bondade e compaixão, o seu cérebro mostrará mudanças significativas em apenas duas semanas.

Algumas pessoas são mais felizes do que outras porque a felicidade é uma escolha. Os investigadores acreditam que entre 50 a 70% do nosso nível de felicidade resulta de predisposição genética; e cerca de 40% vem da nossa própria vontade. Uma grande parte da felicidade depende das nossas atitudes, comportamentos e valores, e não de circunstâncias externas.

Quando era vivo, o meu tio Mack ensinou-me coisas sobre a felicidade. Ele tinha sempre um comportamento alegre e jovial, fazendo sorrir as pessoas, ou - no caso das crianças - fazendo-as rir. Agia como se não tivesse preocupações no mundo. Só quando cresci é que percebi as dificuldades que o tio Mack enfrentou. Quando era recém-casado e teve o seu primeiro filho, a minha tia foi vítima de um aneurisma cerebral muito perigoso; ficou permanentemente paralisada e deixou de conseguir falar. No entanto, Mack tratou dela carinhosamente durante toda a vida. Essa tragédia não mudou a sua atitude nem a sua felicidade. Ainda fizemos grandes reuniões familiares e festas na piscina de verão, cheias de animação e gargalhadas na sua casa, e no Natal ele era o alegre Pai Natal. Nos seus últimos anos, depois de a minha tia ter falecido, ele ficou muito doente com a doença de Graves e ia regularmente fazer diálise; mas o seu comportamento alegre manteve-se. Até o momento em que morreu, eu nunca o ouvi reclamar sobre alguém ou alguma coisa, apesar de a sua vida ter sido cheia de tristezas dolorosas. Tio Mack exemplificava verdadeiramente a nobreza da felicidade:
Qualquer um pode ser feliz numa situação de conforto, facilidade, saúde, sucesso, prazer e alegria; mas se alguém estiver feliz e satisfeito numa situação problemática, de dificuldades e doenças persistentes, isso é a prova da nobreza. (Tablets de Abdu'l-Baha, Volume 2, p. 263)
Então, como podemos ter mais felicidade em nossas vidas? Experimente estes simples quatro passos:

1. Praticar a gratidão - Em vez de procurar negligentemente coisas, ou situações externas, para ficarmos felizes, focar-nos apenas no que já temos pode trazer-nos o subproduto natural da felicidade. Quanto mais gratidão tivermos, mais felicidade teremos nas nossas vidas. Há um velho ditado que diz que quem esquece a linguagem da gratidão, nunca poderá falar com felicidade.

Não é a felicidade que nos torna gratos, mas a gratidão que nos torna felizes. (David Steindl-Rast)

Eu diria que o reconhecimento é a mais alta forma de pensamento, e que a gratidão é a felicidade duplicada pelo espanto. (Gilbert K. Chesterton)

2. Evite permanecer negativo - Em relação aos pensamentos negativos, Eckhardt Tolle disse:

Se você estiver consciente, será capaz de reconhecer essa voz pelo que ela é: um velho pensamento condicionado pelo passado. Além disso, não precisará mais acreditar em todos os seus pensamentos. Verá que se trata de algo antigo, nada mais.

Pessoas felizes têm momentos de emoções negativas, tal como todas as outras, mas não deixam esses pensamentos se prolonguem:

Quando uma porta de felicidade se fecha, abre-se outra, mas muitas vezes olhamos tanto para a porta fechada que não vemos a porta que se abriu. (Helen Keller)

3. Concentre-se no serviço e bondade para quem quer que encontre no seu caminho - o conselho de ‘Abdu’l-Bahá sobre a felicidade enfatiza o nosso reconhecimento da verdadeira unidade da humanidade:
Não se contentem em mostrar amizade apenas com palavras, deixem o vosso coração arder com bondade para com todos os que possam surgir no vosso caminho... Que se veja que estais cheios de amor universal. Quando encontrarem um estranho, falem com ele como se fosse um amigo; se ele parecer estar sozinho, tentem ajudá-lo, ofereçam-lhe o vosso serviço voluntário; se ele estiver triste, consolem-no; se estiver pobre, socorram-no; se estiver oprimido, salvem-no; se estiver na miséria, confortem-no. Ao fazer isso, vocês manifestarão isso não apenas com palavras, mas de facto e de verdade, que pensam em todos os homens como vossos irmãos. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 16)
4. Associe-se com pessoas afectuosas e positivas - A felicidade é contagiosa. Já notou como estar com pessoas felizes pode elevar o seu espírito? Para mim, até ouvir alegres gargalhadas de alguém perto de mim (especialmente se for de um bebé) faz-me sorrir e sentir uma onda de felicidade. Fico então ligada a essa alegria e ela torna-se minha.

Um novo estudo realizado por investigadores da Universidade de Harvard e da Universidade da Califórnia em San Diego revelou que a felicidade se espalha pelas redes sociais. O estudo mostrou que, quando uma pessoa fica feliz, um amigo que more próximo tem mais 25% de probabilidades de se ficar feliz; enquanto o cônjuge tem mais 8% de probabilidade, e os vizinhos do lado, têm mais 34%. Se você precisa de um impulso de felicidade, associe-se com aqueles que já têm uma visão feliz da vida.

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Texto original: Are You Happy? 4 Ways to Achieve Real Happiness (www.bahaiteachings.org)

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Kathy Roman é educadora reformada, aspirante a escritora, esposa e mãe de dois filhos que vive em Elk Grove, California (EUA), onde serve como responsável de Informação Pública Bahá’í.

sábado, 12 de maio de 2018

O Evangelho de João e a Ressurreição de Cristo

Por Tom Tai-Seale.

...escreveste sobre o encontro com Sua Santidade Cristo após a crucifixão e que alguns apóstolos O perceberam mas não O reconheceram; mas reconheceram-No depois de partilhar o pão.

Sabe que o Espírito Messiânico e a emanação do Espírito Santo sempre se manifesta, mas a capacidade e aptidão (para o receber) é maior em alguns e menor noutros. Após a crucifixão, os apóstolos não tinham a capacidade e a aptidão para testemunhar a realidade Messiânica, pois estavam agitados. Mas quando encontraram constância e firmeza, a sua visão interior abriu-se, eles viram a realidade do Messias como manifesta. Pois o corpo de Cristo foi crucificado e desapareceu, mas o Espírito de Cristo está sempre a fluir sobre o mundo contingente e manifesta-se perante o olhar das pessoas convictas. (‘Abdu’l-Bahá, Tablets of Abdu’l-Baha, Vol. 1, pp. 193-194)
A narrativa de João sobre a ressurreição de Cristo é bastante semelhante à de Lucas, diferenciando-se por aumentar a frequência dos eventos e de acrescentar diálogos interessantes. Ele coloca Maria Madalena vendo Jesus no exterior do túmulo, mas inicialmente não O reconhecendo. Depois, quando ela percebe que é Jesus, é-lhe dito: “Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai.” (Jn 20:17) Seguindo o significado literal, isto significa que Jesus não morreu na cruz. Uma teoria especulativa e bastante complexa, surgiu entre os teólogos Cristãos para explicar como é que Jesus podia ter morrido sem ter ascendido ao Pai. Mas talvez João estivesse a tentar enfatizar que não nos devemos agarrar ao corpo físico de Jesus - que o corpo espiritual é mais importante.

Jesus e os Apóstolos
João regista dois momentos em que Jesus aparece e fica entre os discípulos, mencionando especificamente que nas duas ocasiões os discípulos estavam em casa com as portas trancadas. Na primeira vez, o discípulo Tomé não estava presente; por isso recusou-se a acreditar a menos que pudesse colocar os dedos nas feridas no corpo de Jesus. Quando Jesus aparece pela segunda vez, o pedido de Tomé é concedido e Jesus afirma: “Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jn 20:29) Há quem considere esta narrativa como uma confirmação da ressurreição literal. Outros consideram-na como uma afirmação de que Tomé podia acreditar numa ressurreição espiritual de Jesus porque ele conhecera-O durante o Seu ministério, i.e., antes da crucifixão.

Os relatos dos aparecimentos de Jesus a outras pessoas (após os versículos citados acima) surgiram como adições posteriores ao Evangelho; não foram escritas pelos autores originais.

Como podemos perceber, após analisar claramente cada um dos quatro evangelhos, e comparando-os cronologicamente, parece que cada evangelho possibilita interpretações literais e simbólicas. Consequentemente, nenhum dos lados no debate literal/simbólico foi capaz de demonstrar de forma definitiva que a sua interpretação é a correcta.

Mas sabemos que as pessoas de carne e osso não se materializam subitamente e posteriormente desmaterializam-se (excepto em filmes de ficção científica!). Não desaparecem subitamente; não saltam de um lugar para o outro; não permanecem desconhecidas para quem as conhece e segue; nem conseguem entrar em diálogo com os seus parceiros. Por outro lado, não se pode sentir as feridas nos espíritos. Ou o espírito era carne, ou o sentimento era um produto de uma reflexão mental. O que aconteceu?

Parece óbvio, quando analisamos racionalmente todas as histórias e as suas perspectivas, que os autores dos evangelhos apenas incluíram as histórias imprecisas de uma experiência de ressurreição nas suas diferentes narrativas. No que toca à ressurreição física, os autores sabiam que esses relatos não eram muito credíveis. No entanto, os evangelistas também devem ter percebido que muitas pessoas queriam acreditar e transmitir esses relatos. Se registar essas narrativas ajudava a jovem fé desses Cristãos, que mal podia haver nisso? Quando analisados de forma desapaixonada, porém, a força das evidências leva-nos para uma interpretação não-literal. Esta conclusão reflecte os ensinamentos Bahá’ís, que se centram firmemente nos sentidos alegóricos e simbólicos desses relatos:
... Após o martírio de Cristo, os Apóstolos ficaram perplexos e assustados. A realidade de Cristo, que consiste nos Seus ensinamentos, nas Suas bênçãos, nas Suas perfeições e no Seu poder espiritual, ficou oculta e desapareceu durante dois ou três dias após o Seu martírio, e não teve aparecimento ou manifestação externa - de facto, era como se estivesse totalmente perdida. Pois aqueles que verdadeiramente acreditavam eram poucos em número, e mesmo esses estavam perplexos e assustados. A Causa de Cristo era, pois, como um corpo sem vida. Após três dias, os Apóstolos tornaram-se firmes e decididos, levantaram-se para ajudar a Causa de Cristo, resolveram promover os ensinamentos divinos e praticar os conselhos do seu Senhor, e esforçaram-se por servi-Lo. Então a realidade de Cristo tornou-se resplandecente, a Sua graça brilhou, a Sua religião encontrou uma nova vida, e os Seus ensinamentos e conselhos tornaram-se manifestos e visíveis. Por outras palavras, a Causa de Cristo, que era como um corpo sem vida, despertou para a vida e ficou rodeada pela graça do Espírito Santo.

Este é o significado da ressurreição de Cristo, e esta foi uma verdadeira ressurreição. Mas como o clero não entendeu o significado dos Evangelhos e não compreendeu esse mistério, tem sido afirmado que a religião se opõe à ciência, pois, entre outras coisas, a ascensão de Cristo num corpo físico aos céus materiais é contrária à Ciências matemáticas. Mas quando a verdade deste assunto é exposta e este símbolismo é explicado, ela não está de modo algum em contradição com a ciência, mas antes, está confirmada pela ciência e pela razão. ('Abdu'l-Bahá, Some Answered Questions, newly revised edition, pp. 117-119)
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Texto Original: The Gospel of John, the Resurrection and the Reality of Christ (www.bahaiteachings.org)

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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Baha’i: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.

sábado, 5 de maio de 2018

O Significado Espiritual das Rosas

Por Maya Mansour.


A irmã do meu pai gosta de cultivar coisas. Em todas as casas onde viveu, tinham na frente um jardim de rosas.

Ela passa o tempo a tratar cuidadosamente das suas rosas, e isso não passa despercebido. Até hoje, não consigo pensar em rosas sem pensar também nela.

As rosas são uma das flores mais facilmente reconhecíveis, mesmo na sua diversidade. Existem pelo menos 100 espécies diferentes de rosas e milhares rosas híbridas. Esta flor antiga simboliza várias coisas: do amor à guerra, de diferentes lugares a uma série de emoções. As suas cores variadas têm diferentes conotações: as rosas amarelas simbolizam amizade, as rosas cor-de-pêssego representam admiração ou apreço e, mais as conhecidas, as rosas vermelhas transmitem uma sensação de amor romântico.

O mais antigo vestígio de uma rosa remonta a um fóssil com 35 milhões de anos; a flor foi usada no Iraque desde 2000 aC para fins ornamentais e para produzir água de rosas e perfumes. As rosas podem ser encontradas em todo o mundo e têm sido usadas ao longo da história como moeda, em demonstrações de beleza, para fins medicinais e pelo seu aroma encantador.

As rosas são mencionadas mais do que qualquer outra flor nas escrituras Bahá’ís. A forma como Bahá’u’lláh descreve as rosas é como se elas fossem uma fonte de inspiração divina. O seu uso frequente da rosa como uma metáfora encoraja-nos a absorver e interiorizar o que as rosas têm a oferecer: beleza, fragrância e energia pura.

Uma maneira pela qual podemos explorar o seu poder espiritual é imitar o seu processo de crescimento na forma como nos aprofundamos e construímos a comunidade. Apesar das rosas terem capacidade para crescer livremente, um jardim de rosas que seja saudável e bonito requer imenso cuidado. Um jardim cheio de rosas personifica os ensinamentos Bahá’ís sobre unidade, unidade na diversidade e o amor de Deus:
Associai-vos uns aos outros, pensai uns nos outros e sejam como um jardim de rosas. Qualquer pessoa que entrar num jardim de rosas verá várias rosas, brancas, rosadas, amarelas, vermelhas, todas crescendo juntas e repletas de beleza. Cada um acentua a beleza da outra. Se todas fossem da mesma cor, o jardim seria monótono para os olhos. Se fossem todas brancas, ou amarelas ou vermelhas, o jardim não teria variedade e encanto; mas quando as cores são variadas, branco, rosa, amarelo, vermelho, existe a maior beleza. Portanto, espero que sejam como um jardim de rosas. Apesar de diferentes nas cores, no entanto - louvado seja Deus! - recebem raios do mesmo sol. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 427)

Se os corações forem tocados com o calor do amor de Deus, esse território tornar-se-á um jardim de rosas divinas e um paraíso celestial, e as almas, tal como árvores frutíferas, terão a maior frescura e beleza. (‘Abdu'l-Bahá, Tablets of the Divine Plan, p. 28)
Tal como os ensinamentos Bahá’ís usam um jardim de rosas para descrever uma comunidade ideal e carinhosa, também o comparam ao coração humano. Somos encorajados a segurar-nos firmemente à “rosa do amor” dentro deste jardim do nosso coração. Esse amor não se refere ao amor romântico, mas ao tipo de amor espiritual que caracteriza as relações dotadas de qualidades virtuosas:
Ó Amigo! No jardim do teu coração, nada plantes salvo a rosa do amor e não te desprendas do rouxinol do afecto e do desejo. Estima a companhia dos justos e evita toda a associação com os ímpios. (Bahá’u’lláh, As Palavras Ocultas, do persa, #3)
Observar como a minha tia trata carinhosamente do seu jardim de rosas permitiu-me ver uma bela metáfora sobre como eu deveria cultivar as minhas relações com os outros e desenvolver as minhas qualidades espirituais por amor. Esta metáfora permite-me explorar as intenções por detrás das escolhas que faço diariamente: começo a pensar no que faço em termos de ajudar ou prejudicar o crescimento do jardim no meu coração.

Bahá’u’lláh escreveu:
No Jardim de Rosas do esplendor imutável, começou a surgir uma Flor, comparada com a qual todas as outras flores são apenas um espinho, e perante o brilho da Sua glória, a própria essência da beleza fica pálida e murcha. Levantai-vos, pois, e - com todo o entusiasmo dos vossos corações, com toda a avidez das vossas almas, o pleno fervor da vossa vontade e os esforços concentrados de todo o vosso ser - esforçai-vos para alcançar o paraíso da Sua presença e esforçai-vos para inalar a fragrância da Flor incorruptível, para respirar os doces aromas da santidade e para obter uma porção deste perfume de glória celestial. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, sec. CVLI)
Uma pessoa ser comparada a uma rosa - como todos nós estamos nas escrituras Bahá’ís - é algo incrivelmente poderoso, considerando o peso espiritual dessa flor.

Isto lembra-me uma situação em que ‘Abdu'l-Bahá distinguiu intensamente uma pessoa como uma rosa. Quando ‘Abdu'l-Bahá estava em Nova Iorque, em 1912, caminhando perto da Missão Bowery com alguns dos seus companheiros; alguns eram americanos e outros eram estrangeiros. Esse grupo de pessoas destacava-se de todos os outros no bairro. Os transeuntes nas ruas olhavam para eles e algumas crianças começaram a fazer troça de ‘Abdu'l-Bahá e dos Bahá’ís que O acompanhavam.

Uma pessoas - a Sra. Kinney - era uma das anfitriãs de ‘Abdu’l-Bahá durante a Sua viagem nos Estados Unidos. Ela parou e explicou aos rapazes que ‘Abdu'l-Bahá era um homem santo que sofrera muito para partilhar a Sua mensagem com pessoas de todo mundo. Seguidamente convidou as crianças a visitar a sua casa onde ‘Abdu'l-Bahá estava hospedado para que pudessem encontrar-se com Ele.

Para sua surpresa, no dia e hora marcadas, as crianças apareceram em sua casa, onde ‘Abdu'l-Bahá as recebeu com sorrisos. A última criança a entrar em casa da Sra. Kinney era um jovem negro. Quando ‘Abdu’l-Bahá viu aquele rapaz, o Seu rosto iluminou-se e disse em voz alta: “Aqui está uma rosa negra!” É desnecessário dizer que aquelas simples palavras tiveram um efeito profundo:
Os outros rapazes olharam para ele com outros olhos. Arrisco-me a dizer que já lhe tinham chamado “preto-muita-coisa”, mas nunca “rosa negra”. Este incidente relevante deu uma nova aparência ao momento. A atmosfera da sala parecia agora carregada de vibrações subtis sentidas por todas as almas. Os rapazes, embora não perdessem nada da sua descontracção e simplicidade, estavam mais sérios e mais atentos a ‘Abdu'l-Bahá, e eu notei que olhavam insistentemente para o menino de cor com olhar muito pensativo. Para os poucos amigos presentes na sala, a cena apresentava visões de um novo mundo no qual toda a alma seria reconhecida e tratada como um filho de Deus. Pensei: o que aconteceria a Nova Iorque se esses rapazes pudessem levar uma recordação profunda dessa experiência de maneira que, ao longo das suas vidas, sempre que encontrassem representantes das muitas raças e cores que se encontravam naquela grande cidade, pensariam neles e tratá-los-iam como “flores de diferentes cores no Jardim de Deus”. - Howard Colby Ives, Portals to Freedom, p. 64-65.
Ao longo de toda a Sua vida, ‘Abdu'l-Bahá escolheu continuamente ser um exemplo de como podemos celebrar a diversidade. Dos Seus escritos sobre jardins de rosas e pelo entusiasmo que mostrou ao ver uma criança que era diferente das outras, acredito que Ele estava a encorajar-nos a vermo-nos uns aos outros como rosas de amor.

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Texto Original: The Spiritual Significance of Roses (www.bahaiteachings.org)

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Maya Mansour estudou artes no The Evergreen State College e os seus trabalhos têm sido publicados em várias plataformas, incluindo Ebony, SoulPancake, and the Journal of Critical Scholarship on Higher Education and Student Affairs.

sábado, 28 de abril de 2018

O Evangelho de Lucas e a Ressurreição de Jesus

Por Tom Tai-Seale.


Na nossa análise das narrativas da ressurreição nos evangelhos, vamos agora ver o que escreve Lucas.

Vimos que Marcos escreveu que três mulheres tinham ido ao sepulcro de Cristo e ali encontraram um jovem vestido de branco. No evangelho de Lucas existe uma multidão que vai ao sepulcro e descobre dois homens vestidos com roupas brilhantes e curvam-se perante eles. É óbvio que Lucas está a descrever a criação de um mito.

Lucas regista o primeiro aparecimento de Jesus como tendo ocorrido com os dois que foram ao sepulcro. O evento dá-se quando eles caminham para uma aldeia chamada Emaús. Lucas escreve (24:15-16): “E aconteceu que, indo eles, falando entre si e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles: Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem.

Segue-se um diálogo e Jesus repreende-os: “Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!” Mas mesmo assim os dois não o reconheceram. A conversa continua e por fim eles chegam ao seu destino. Quando partilham o pão com Jesus, finalmente “abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes”; não é claro se isto aconteceu por Ele se ter afastado, desmaterializado ou desaparecido das suas consciências mentais.

Esta narrativa contém todos os ingredientes de uma alegoria. Apenas quando os dois homens raciocinam juntos sobre o ministério e a morte de Jesus é que Ele se aproxima deles. Os dois tiveram que reflectir sobre o que os profetas falaram antes poderem perceber que Cristo podia erguer-se dos mortos. Tiveram de praticar o ritual da comunhão antes de conseguirem lembrar-se e perceber que Ele estava com eles. Assim que descobrem que a realidade de Jesus estava com eles, Ele desaparece dos seus olhos. Essa percepção afasta a necessidade de visão. Um Jesus em carne não desapareceria perante os seus olhos, nem seria necessário raciocinar para o reconhecer.

Lucas prossegue dizendo que os dois homens regressaram a Jerusalém, encontraram os discípulos e os que estavam com eles, “e eles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como deles foi conhecido no partir do pão”. A lembrança do ritual que Cristo tinha ensinado para ser recordado fez com que os homens O reconhecessem. Lucas afirma então: “E, falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou, no meio deles”. Note-se que Jesus aparece subitamente; Ele não bateu à porta. Ele aparece como um instante de compreensão. É a consciência da Sua presença espiritual que aparece - não o Seu corpo físico.

Ao “ver” a realidade espiritual do Cristo ressuscitado, Lucas afirma que os discípulos tiveram medo e “pensavam que viam algum espírito”. Note-se que os discípulos não dizem que viram um corpo. Depois Lucas narra que Jesus diz aos Seus discípulos: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo: apalpai-me e vede; pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.” Lucas descreve que Jesus comeu peixe e favo de mel com os discípulos e depois explicou-lhes que tudo o que tinha acontecido tinha de acontecer pois estava registado nas escrituras. Seguidamente, afirma Lucas, Jesus “abriu-lhes o entendimento, para compreenderem as Escrituras.

Mais uma vez, encontramos uma mistura de imagens físicas e espirituais. Os corpos físicos não aparecem de forma súbita; entram e saem através de portas. Por outro lado, os espíritos não têm carne e ossos. Então o que significa o comentário sobre os espíritos? Parece tratar-se de uma afirmação sobre uma crença e um temor antigos sobre espíritos. Se isso for verdade, então o que se segue faz sentido. A presença de Cristo que eles recordavam e sentiam - aquele que eles agora começavam a “ver” não apenas no mundo vindouro mas também entre eles - era a mesma que esteve com eles neste mundo. Não era uma imagem assustadora, mas familiar. Era o mesmo Jesus que eles conheciam, o que tinha carne e ossos. Era o seu amigo e Senhor, aquele que tinha um corpo físico, aquele a quem eles podiam oferecer peixe e favo de mel e lhes permitia viver e celebrar com confiança.

Os ensinamentos Bahá’ís explicam:
Sobre a Ressurreição de Cristo, você cita o capítulo vinte e quatro do Evangelho de S. Lucas, onde a narrativa salienta o facto da realidade do aparecimento de Jesus aos Seus discípulos que - segundo afirma o Evangelho - ao princípio pensaram ser um fantasma. Do ponto de vista Bahá’í, a crença de que a Ressurreição foi o regresso à vida de um corpo de carne e sangue, e que posteriormente se elevou aos céus não é razoável, nem é necessária à verdade essencial da experiência dos discípulos, que era que Jesus não tinha deixado de existir quando foi crucificado (como era a crença de muitos Judeus desse tempo), mas que o seu Espírito, libertado do corpo, ascendera à presença de Deus e continuava a inspirar e guiar os Seus seguidores e a presidir aos destinos da Sua dispensação. (The Resurrection of Christ, September, 1987, A Casa Universal de Justiça)
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Texto Original: The Gospel of Luke and the Resurrection of Jesus (www.bahaiteachings.org)

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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Baha'i: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.

sábado, 21 de abril de 2018

Ressurreição: as diferenças entre os Evangelhos de Marcos e Mateus

Por Tom Tai-Seale.


As ressurreições dos Manifestantes Divinos não são do corpo. Todos os Seus estados, as Suas condições, os Seus actos, as coisas que definiram, os Seus ensinamentos, as Suas afirmações, as Suas parábolas e as Suas instruções têm um significado espiritual e divino, e não têm ligação com coisas materiais. (‘Abdu'l-Bahá, Some Answered Questions, p. 103)
Se queremos, realmente, compreender a ressurreição, precisamos estudar as narrativas nos Evangelhos.

Podemos aprender muito sobre a ressurreição examinando as narrativas dos evangelhos pela ordem em que foram escritas. O Evangelho de Marcos - o primeiro dos evangelhos a ser escrito - não continha qualquer narrativa da ressurreição. Na sua obra História da Igreja, Eusébio, o primeiro grande historiador cristão, diz-nos que a narrativa da ressurreição que agora existe em Marcos foi adicionada mais tarde por um autor conhecido como Aristion. A narrativa original terminava com Maria Madalena, Salomé e Maria (a mãe de Tiago) a encontrar um jovem sentado no interior do túmulo vazio. O jovem no túmulo disse-lhes: "Mas ide, dizei aos seus discípulos, e a Pedro, que Ele vai adiante de vós, para a Galileia; ali O vereis, como Ele vos disse."

O versículo seguinte - que diz que elas fugiram do túmulo vazio - encerra a narrativa. Por outras palavras, Marcos não descreveu nenhum reaparecimento físico de Jesus aos Seus discípulos. Alguns argumentam que Marcos sugere uma ressurreição física nesse final, mas isso representa apenas um de muitos significados possíveis. Por exemplo, o jovem que fala no túmulo pode ter pertencido a um grupo enviado para recuperar o corpo e levá-lo para a Galileia. E as suas instruções para as mulheres podem ter simplesmente reforçado a mensagem para ir ao local de encontro pré-estabelecido, conforme especificado em Marcos 14:28. Não está claro se o corpo que eles levaram estava morto ou, devido à necessidade de terminar a crucificação rapidamente, talvez ainda estivesse vivo, embora gravemente ferido.

Como vimos, Marcos escreve que quando as três mulheres foram ao sepulcro e o encontraram aberto também encontraram um jovem sentado no túmulo. Mateus (28:2) relata o mesmo evento de forma diferente: menciona que apenas duas mulheres foram ao sepulcro (não refere Salomé) e que, quando se aproximaram, "houvera um grande terramoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra, e sentou-se sobre ela."

Marcos nada diz sobre um terramoto ou sobre um anjo. À medida que a narrativa de Mateus (28:9) prossegue, o anjo diz às mulheres para saírem e avisarem os discípulos que Cristo se ergueu dos mortos. Ele diz: "E, indo elas, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram." Seguidamente, diz-se que Jesus apareceu num monte na Galileia a onze discípulos: “E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.” (28:17)

Devemos acreditar na visão de Marcos ou de Mateus? Atendendo à inclinação de Mateus para o exagero - como se percebe nas suas narrativas exageradas dos milagres descritos por Marcos - não será a versão de Marcos mais credível? Não estaria Mateus a escrever para um público com paixão e expectativa de milagres? Estaria apenas a relatar algumas das histórias fantásticas que escutara? Ou será que juntou os relatos literais e figurativos e deixou que os leitores fizessem a sua interpretação?

Estas questões não são fáceis de responder, mas algumas observações adicionais podem ajudar-nos a encontrar a verdade. O relato de Mateus é muito espartano. Não contém diálogos. As duas Marias e os onze discípulos nada têm a dizer a Jesus - o que é improvável, se de facto Jesus tivesse ressuscitado fisicamente. A acção também passa de um lugar para outro sem explicação dos passos intermédios. Jesus vai do sepulcro para a Galileia e depois para lugar nenhum. Nada é dito sobre para onde vai Jesus, nem o que Ele faz após o encontro com as duas Marias, ou depois de encontrar os discípulos. Não acontece a Ascensão final. E por outro lado, o autor mistura imagens materiais e espirituais de uma forma que nos deixa constantemente a questionar qual é qual. Estará ele a falar de um terramoto e um anjo físicos - e qual seria o aspecto do anjo? Será o monte da Galileia uma referência a um monte físico ou a um monte de fé? Terá a ressurreição sido física ou espiritual? E se fosse física como poderia algum discípulo duvidar?

Os Bahá’ís acreditam que apenas podem ser respondidas se recusarmos o sentido literal destas narrativas. No próximo artigo sobre Lucas e João, essa conclusão torna-se ainda mais forte.

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Texto Original: The Conflicting Gospels of Mark and Mathew (www.bahaiteachings.org)

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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Baha'i: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.