sábado, 21 de outubro de 2017

Quem foi Bahá’u’lláh?

Por Rodney Richards.


Quem foi Bahá’u’lláh? Uma pergunta mais correcta seria: "Quem é Bahá’u’lláh?", porque Ele ainda hoje inspira milhões de crianças, jovens e adultos em todo o mundo. Como é que alguém ainda inspira milhões de pessoas quase cento e vinte e cinco anos após a sua morte?

Como se fossem milhares de grandes personalidades que deixam a sua marca no progresso da humanidade, a Fé de Bahá’u’lláh impulsiona a humanidade para um futuro glorioso e edificante. Os ensinamentos de Bahá’u’lláh persistem após o seu falecimento (em 1892) e têm ainda mais significado no mundo de hoje do que quando Ele os revelou no século XIX.

Os Bahá’ís acreditam que Bahá’u’lláh é um daqueles grandes reveladores da história, como Cristo, Maomé, Buda, Krishna, o Báb e outros. O Seu aparecimento foi anunciado pela dramática figura do Bab em meados do século XIX, na Pérsia, que foi executado por um regimento de 750 soldados por anunciar o advento de um novo profeta universal de Deus. Bahá’u’lláh era aquele a que o Bab se referia como "Aquele que Deus tornará Manifesto" e que guiou os primeiros Bábis durante décadas de perseguição cruel e desumana pelas mãos fanáticas do clero, governo e população muçulmanas:
Dominando todo a extensão deste espectáculo fascinante, destaca-se a incomparável figura de Bahá'u'lláh, transcendente na Sua majestade, sereno, inspirador, irreversivelmente glorioso. (Shoghi Effendi, The World Order of Baha’u’llah, p. 97)
Em Abril de 1863, no Jardim de Ridvan, situado numa pequena ilha no rio Tigre, nos arredores de Bagdade, Bahá’u’lláh anunciou aos Seus seguidores que Ele era, de facto, o prometido pelo Báb, cuja ordem mundial "revolucionaria" os destinos da humanidade. Hoje, mais de cinco milhões de seguidores, distribuídos por mais de 100 mil localidades, trabalham para promover a mensagem central de Bahá’u’lláh: chegou a hora da humanidade se unir e pôr fim aos seus comportamentos ruinosos, infantis e antagónicos. Bahá’u’lláh afirmou que estamos próximos da idade da maturidade da humanidade, em que todos poderemos finalmente viver em paz, harmonia e prosperidade.

O nome Bahá’u’lláh é um título que significa "Glória de Deus", e que cumpre diversas passagens da Bíblia e outras escrituras. Os títulos "Ancião dos Dias" e "Beleza Antiga" significam a Sua sabedoria, sagacidade e unidade com o Criador único. "O Senhor dos Exércitos" significa a Sua posição de senhor do tempo, e a "Nova Jerusalém que desceu dos céus" simboliza plenamente a Sua nova revelação directa de Deus para toda a humanidade.
Testemunho perante Deus a grandeza, a inconcebível grandeza desta revelação. Repetidamente, na maioria das Nossas Epístolas, testemunhamos essa verdade, para que a humanidade pudesse ser acordada da sua negligência. (Bahá'u'lláh, citado em The Advent of Divine Justice, p. 77)
A "inconcebível grandeza desta revelação" recebe a sua inspiração dos ensinamentos de Bahá’u’lláh para um mundo desorientado e dividido, para uma humanidade que se debate entre o perceber da sua própria grandeza e o revoltar-se com as suas próprias depravações. Toda a humanidade reconhece que a ordem actual é "lamentável defeituosa", que um novo dia e uma nova mensagem são necessárias para mudar o seu destino e afastar-se do caminho actual da sua própria destruição.

Bahá’u’lláh afirma ter trazido esse novo dia e essa nova mensagem, proclamando isso de forma aberta e directa para que todos a examinem. É um novo dia precisamente porque "todas as Dispensações do passado atingiram a sua mais elevada e derradeira consumação" nesta nova revelação trazida por Bahá’u’lláh:
O que se tornou manifesto neste preeminente, nesta mais exaltada Revelação, não tem paralelo nos anais do passado, nem as eras futuras testemunharão algo semelhante. (Idem, pags. 103-104)
O que Bahá’u’lláh declara aos seguidores de todas as outras religiões é, no mínimo, surpreendente:
“Seguidores do Evangelho, eis que as portas do céu plenamente abertas. Aquele que lhe ascendeu voltou agora. Dai ouvidos à Sua voz que brada sobre a terra e o mar, anunciando a toda humanidade o advento da Sua Revelação..." E ao povo judeu: "E da Sarça-ardente surgiu o grito: ‘Eis que a Promessa sagrada foi cumprida, porque Ele, o Prometido, já veio!’" E "O Pai já veio. Aquilo que vos foi prometido no Reino de Deus cumpriu-se." E aos seguidores de Maomé, Bahá’u’lláh grita: "Se Maomé, o Apóstolo de Deus, tivesse alcançado este Dia, teria exclamado: 'Eu, em verdade, reconheço-Te, ó Desejo dos Mensageiros Divinos!'" (citado por Shoghi Effendi, The World Order of Baha’u’llah, pags. 104-105)
Sim, estas são as surpreendentes afirmações que Bahá’u’lláh fez. A Sua vida, a beleza dos Seus ensinamentos, os Seus milhares de livros e epístolas, e os Seus milhões de fiéis seguidores dão-lhes credibilidade. Tudo está disponível gratuitamente para leitura e estudo.

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Texto original: Who Was Baha’u’llah? (www.bahaiteachings.org)

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Rodney Richards é escritor técnico de profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey. Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia),tendo publicado o seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.

sábado, 14 de outubro de 2017

Porquê este fascínio por Bahá’u’lláh?

Por David Langness.


Este é o Dia em que o Oceano da misericórdia de Deus se manifestou aos homens, o Dia em que o Sol da Sua benevolência derramou o Seu esplendor sobre eles, o Dia em que as nuvens do Seu caridoso favor cobriram toda a humanidade. (Bahá’u’lláh, SEB, V)
Quem foi Bahá’u’lláh, o Profeta fundador da Fé Bahá’í?

Nascido em Teerão, na Pérsia, em Novembro de 1817, o Seu nome próprio era Mirza Husayn Ali. Filho de Mirza Abbas, um conhecido proprietário e membro do governo provincial de Nur, Bahá’u’lláh era descendente de Abraão e de Zoroastro. No início da Sua vida adulta, Bahá’u’lláh tornou-Se conhecido na Pérsia como “o Pai dos Pobres” devido aos seus trabalhos de assistência aos indigentes e aos desamparados. Poeta e místico Sufi, Bahá’u’lláh apoiou a Fé Bábi em 1844 e divulgou entusiasticamente a nova e revolucionária religião. Apesar da perseguição por parte do clero Muçulmano, apesar de ter sido preso e torturado, Bahá’u’lláh tornou-se um líder Bábi. Depois da execução do Báb em 1850, Bahá’u’lláh anunciou o início da Fé Bahá’í em 1863, no término do Seu exílio em Bagdade. Passou o resto da Sua vida na prisão e no exílio, proclamando a Sua no Fé e os seus princípios de paz, amor universal e unidade mundial.

Mas quem foi este homem que inspirou tamanha lealdade e amor entre tantos dos seus devotados seguidores?

Eis uma breve descrição, do livro A Concise Encyclopedia of the Baha’i Faith, de Peter Smith,
A grande devoção e amor que os seus seguidores sentem por Bahá’u’lláh tornam difícil conseguir uma noção sobre quem ele, realmente, era. Assim, os seus relatos sobre Bahá’u’lláh enfatizam a sua presença dominante e inefável, com um escritor afirmando que era quase impossível para alguém olhá-lo nos olhos ou proferir uma frase completa na sua presença. (p.78)
E.G. Browne
Aqui fica outra descrição mais detalhada do conhecido orientalista britânico E. G. Browne, o único ocidental que se encontrou com Bahá’u’lláh:
“A face d’Aquele para quem eu olhava”, é o memorável testemunho do entrevistador para a posteridade, “nunca poderei esquecer, apesar de não a conseguir descrever. Aqueles olhos penetrantes pareciam ler a própria alma de uma pessoa; poder e autoridade emanavam daquela testa ampla… Não foi necessário perguntar na presença de quem me encontrava, enquanto me curvava perante aquele que é objecto de uma devoção e amor que os reis podem invejar e os imperadores suspirar em vão.” “Aqui”, testemunhou o próprio visitante, “passei cinco dias muito memoráveis, durante os quais apreciei oportunidades inesperadas e sem paralelo de me relacionar com aqueles que são as principais fontes desse espírito poderoso e maravilhoso, que trabalha com uma crescente força invisível, para o transformar e despertar de um povo trôpego num sono semelhante à morte. Foi, na verdade, uma experiência estranha e tocante, mas da qual lamento não conseguir transmitir nada salvo a mais fraca das impressões.” (citado por Shoghi Effendi, God Passes By, p. 193)
Tal como todos os Profetas e fundadores das grandes religiões mundiais, Bahá’u’lláh sofreu tremendamente como resultado dos seus novos ensinamentos. Ele deixou princípios sobre paz mundial, unidade racial e religiosa, harmonia entre ciência e religião, igualdade entre homens e mulheres, e a eliminação de extremos de pobreza e riqueza. Advogou um sistema de educação universal e obrigatório, a adopção de uma língua auxiliar universal e a criação de um sistema de governação mundial. Tal como todos os mensageiros religiosos, todos estes ensinamentos colocaram Bahá’u’lláh em desacordo com o clero e os funcionários governamentais do seu tempo - mas por fim atraiu milhões de devotados seguidores em todo o mundo.

Talvez se perceba porquê no seguinte excerto da descrição de E.G.Browne sobre o seu encontro com Bahá’u’lláh:
Louvado seja, pois conseguiste!... Vieste ver um prisioneiro e um exilado… Apenas desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações; no entanto, consideram-nos um fomentador de conflitos e sedição, merecedor de cativeiro e desterro… Que todas as nações se tornem uma na fé e todos os homens sejam irmãos; que os laços de afecto e unidade entre os filhos dos homens se fortaleçam; que a diversidade de religião termine e as diferenças de raças sejam anuladas – que mal há nisto?... No entanto, assim será; estas lutas infrutíferas, estas guerras ruinosas desaparecerão e a “Mais Grandiosa Paz” virá… Não precisam disto também na Europa? Não foi isto que Cristo predisse?... No entanto, vemos os vossos Reis e governantes esbanjando os seus tesouros mais livremente em meios de destruição da raça humana do que naquilo que é conducente à felicidade da humanidade... Estas lutas e estas carnificinas e discórdias devem cessar, e todos os homens devem ser como da uma família… Que nenhum homem se glorifique porque ama o seu país; que se glorifique antes porque ama a sua espécie… (Bahá’u’lláh, citado por J. E. Esslemont’s Baha’u’llah and the New Era, pags. 39-40)

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Texto original: Who was Baha’u’llah - and Why Do So Many People Follow Him? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 7 de outubro de 2017

7 Provas da Missão de Bahá’u’lláh

Por Marty Schirn.


Bahá’u’lláh, o profeta fundador da Fé Bahá’í, afirmou ser o Mensageiro de Deus para este momento da história humana.

Além disso, declarou que ser o Prometido de todas as religiões, vindo para unir a raça humana e estabelecer o reino de Deus na Terra.

Como podemos determinar se essas afirmações são verdadeiras ou falsas?

Cristo definiu o padrão. Quanto ao aparecimento de falsos profetas, Ele disse: "Pelos seus frutos os conhecereis." - Mateus 7:16.

Então, para vossa consideração, aqui ficam sete frutos (ou provas) de que Bahá’u’lláh é um Profeta:

1. A beleza, a visão e o poder das Suas Escrituras. (Os pronomes "Eu", "Meu" e "Minha" referem-se a Deus.)
Ó Filho do Homem! Velado no Meu ser imemorial e na antiga eternidade da Minha essência, conheci o Meu amor por ti; por isso, te criei, gravando em ti a minha imagem e revelando-te a minha beleza. (Bahá’u’lláh, As Palavras Ocultas, do Árabe, #3)

Ó Filho do Ser! És a minha lâmpada e a Minha luz está em ti. Obtém dela o teu esplendor e não procures outro salvo Eu. Pois Eu criei-te rico e generosamente derramei o meu favor sobre ti. (Idem. #11)

Ó Filho do Espírito! Criei-te rico; porque te deixas cair na pobreza? Fiz-te nobre; porque te rebaixas? Da essência do conhecimento, Eu te dei existência; porque procuras a iluminação de alguém além de Mim? Do pó do amor, Eu te moldei; como te ocupas com outro? Volta o teu olhar para ti próprio, para que Me encontres dentro de ti, forte, poderoso e subsistindo por Mim próprio. (Idem. #13)

2. Os Seus Ensinamentos

Os ensinamentos Bahá’ís elevam a raça humana. Os ensinamentos de Bahá’u’lláh centram-se em três princípios básicos: a unicidade de Deus, a unicidade da humanidade e a unicidade da religião.

Tem sido repetidamente provado que a unidade e a harmonia são benéficas. Bahá’u’lláh enfatizou a necessidade da unidade mundial. Somente a unidade mundial pode elevar a raça humana e guiá-la para a próxima fase de desenvolvimento: uma civilização espiritual global.

3. A Sua vida

Bahá’u’lláh aceitou voluntariamente sofrer uma intensa perseguição devido aos Seus princípios e ensinamentos. Nunca fugiu. Nunca vacilou.

Bagdade no séc. XIX.
Bahá’u’lláh foi condenado, torturado e aprisionado. Os Seus bens foram confiscados; cuspiram-Lhe em cima, ridicularizaram-No, apedrejaram-No e envenenaram-No. Lançaram-No numa masmorra subterrânea escura, gelada, húmida e infestada de percevejos. Uma pesada corrente foi colocada no Seu pescoço; os Seus pés estiveram presos num tronco. Foi exilado quatro vezes; de Teerão, na Pérsia, para Bagdade, para Constantinopla e Adrianópolis no Império Otomano, para Akka na Palestina. Viveu a maior parte da Sua vida como prisioneiro.

Ele nunca fez mal algum. Mas o clero muçulmano colaborou com os governos persa e otomano fazendo tudo o que fosse possível para tentar destruir o que eles sentiam ser uma heresia perigosa e em rápido crescimento, e suprimir e destruir os ensinamentos progressistas Bahá'ís.

Apesar da perseguição intensa, Bahá’u’lláh escreveu mais de cem volumes revelando o plano de Deus para a realização de uma paz universal duradoura.

4. O efeito da Sua vida e ensinamentos sobre os Seus seguidores

Durante a vida de Bahá’u’lláh, milhares de pessoas passaram por uma transformação espiritual que mudou drasticamente as suas vidas. Tal como Bahá’u’lláh, também foram condenados por heresia e foram duramente torturados e executados. Hoje, milhões de pessoas seguem os ensinamentos de Bahá’u’lláh.

5. As profecias que Ele fez

Alguns tornaram-se realidade; alguns estão-se a tornar hoje realidade. Aqui fica uma do passado. Bahá’u’lláh escreveu cartas aos governantes e aos líderes religiosos do Seu tempo. Entre eles, estava Napoleão III.

Bahá’u’lláh condenou o desejo de Napoleão pela glória militar e por se ter envolvido na Guerra da Crimeia. Aqui fica um excerto da Sua Epístola a Napoleão III, revelada em 1868:
Pelo que fizeste, o teu reino será lançado na confusão, e o teu império passará das tuas mãos, como castigo pelo que forjaste. (The Proclamation of Baha’u’llah, p. 20)
Dois anos depois, na Batalha de Sedan, Napoleão sofreu a maior derrota da história militar até então. Foi feito prisioneiro, o seu Império entrou em colapso e a República Francesa foi estabelecida.

6. As profecias que Ele cumpriu

Bahá’u’lláh cumpriu inúmeras profecias existentes em todos os livros sagrados. Aqui está uma:
A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome. (Apocalipse 3:12)
A partir desta profecia, torna-se evidente que Cristo não regressará com o mesmo nome. Será uma pessoa diferente, tal como Cristo era diferente de Moisés. Os Bahá’ís acreditam que Bahá’u’lláh cumpriu essas profecias e muitos outras de diversas religiões.

7. O crescimento global da Fé Bahá’í
A Fé Bahá’í está estabelecida em praticamente todos os países e em muitos territórios dependentes e departamentos ultramarinos. Os Bahá’ís residem em mais de 100 mil localidades. Cerca de 2100 tribos indígenas, raças e grupos étnicos estão representados na comunidade Bahá’í... A literatura Bahá’í está traduzida em mais de 800 idiomas. (The Baha’i World News Service)
Estes são apenas alguns dos frutos da revelação de Bahá’u’lláh. Em menos de dois séculos, esta espalhou-se por todo o mundo e conquistou os corações e a imaginação de milhões. Os Seus ensinamentos avançados e progressistas, o seu acolhimento caloroso a todas as pessoas, e a sua visão profundamente espiritual da realidade contribuem para o funcionamento da Fé Bahá’í. Uma religião pode ter muitos ensinamentos e princípios universais maravilhosos - mas para que essa religião realmente funcione na prática, isso é poderoso, profundo e aumenta as provas de Bahá’u’lláh foi um Profeta.

Assim, se estiver interessado, investigue a vida e os ensinamentos de Bahá’u’lláh, leia as Suas palavras e decida por si próprio se as Suas afirmações são verdadeiras.

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Texto original: 7 Proofs of Baha’u’llah’s Mission (www.bahaiteachings.org)

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Marty Schirn é um Bahá’í de origem Judaica. Estudou psicologia e administração de empresas. Viveu em Chicago, onde trabalhou no jornal Chicago Tribune e como guia no Templo Bahá’í de Chicago. Actualmente, vive em Tucson, no Arizona (EUA)

sábado, 30 de setembro de 2017

O Epitáfio de Satanás

Por Christopher Buck.


Tudo o que potencialmente possuís, porém, só se pode manifestar como resultado da vossa própria vontade. Os vossos próprios actos testemunham esta verdade... Os homens, contudo, têm violado deliberadamente a Sua lei. Esse comportamento deve ser atribuído a Deus, ou aos seus próprios seres? Sede justos no vosso juízo. Todo o bem provém de Deus, e todo mal provém de vós próprios. Não o compreendeis? (Bahá’u’lláh, SEB, LXXVII)
A epígrafe de Bahá’u’lláh sobre o mal é o epitáfio de Satanás.

Esta citação mudou a minha vida. Teve um impacto muito duradouro em mim, libertando-me do medo e do pavor de "Satanás".

“Como?” poderão perguntar. No fundo, a citação nem sequer menciona Satanás. Essa é a questão. Um poderoso "argumento do silêncio", na verdade! Este excerto notável - simples, mas profundo nas suas implicações - impressionou-me tanto pelo que não afirma, assim como pelo que afirma.

Quando li pela primeira vez, "todo mal provém de vós próprios" - precedida pela afirmação "Os vossos próprios actos testemunham esta verdade" - fiquei siderado, atordoado e impressionado com a súbita clareza que senti, e por outro lado, pela tremenda responsabilidade que estas palavras transmitem. Tive, então, que enfrentar a verdadeira origem do mal - no espelho.

No que diz respeito ao mal, compreendi que o problema fica por aqui.

Quando li estas palavras, percebi finalmente que Satanás não existe fora do simbolismo do mal humano. Satanás é uma personificação do mal; não uma personalidade maligna.

Satanás não é uma pessoa. Satanás é um mito. Acreditar no contrário, é uma crença distorcida. Vejam que eu cresci com Satanás fazendo parte da minha educação Cristã. Foi-me dito na catequese que Satanás se poderia disfarçar como um anjo da luz:
E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. (2Cor 11:14)
Quando era criança, isso deixava-me com medo, até mesmo paranóico. Satanás poderia estar à espreita em qualquer lugar. Pior ainda, Satanás estava em todo lugar - iníquo e omnipresente. Quando era criança, a ideia de Satanás possuía-me. Satanás assustava-me profundamente. Mas a explicação de Bahá’u’lláh libertou-me. Como?

Para os Bahá’ís, Bahá’u’lláh exorciza Satanás, expondo-o por aquilo que realmente é (e por aquilo que não é). Bahá’u’lláh mata o dragão primordial. Os ensinamentos Bahá’ís mostraram-me que Satanás é uma superstição, uma diversão, uma perversão da verdadeira fonte do mal. Há quarenta anos, quando li esta epígrafe pela primeira vez pouco depois de me tornar Bahá’í, fiquei impressionado com outra visão súbita: não preciso de acreditar em Satanás para acreditar em Cristo. Este pensamento, só por si, era libertador, purificador, capacitador. “Porquê?”, poderão perguntar.

Permitam-me ser franco: hoje, para ser cristão, muito provavelmente, você tem que acreditar em Satanás, bem como em Cristo. Pense nisso! O Cristianismo pode existir sem Satanás? Eu acredito que sim. Mas provavelmente a maioria dos cristãos não pensou no problema de Satanás dessa forma.

Não me interpretem mal: ser Cristão é seguir Cristo e aceitá-Lo como Senhor e Salvador. Mas se Cristo salva do Pecado Original, e se o pecado original foi provocado por Satanás, a serpente no Jardim do Éden (como é que Satanás se infiltrou para o Éden?), então ser Cristão, neste sentido, implica a crença num ser maligno, um espírito chamado Satanás. A doutrina prevalecente sobre a salvação implica acreditar em Satanás.

Podemos ver outra ligação: se não existe Satanás, também não existe salvação. A não ser que a salvação que Cristo oferece tenha outro significado. E isso é tema que as Escrituras Bahá'ís clarificam, tal como a questão da existência de Satanás:
A realidade subjacente a esta questão é que o espírito maligno, Satanás ou o que quer que seja interpretado como mal, refere-se à natureza inferior no homem. Essa natureza inferior é simbolizada de várias maneiras. No homem existem duas expressões, uma é a expressão da natureza, a outra a expressão do reino espiritual... Deus nunca criou um espírito maligno; todas essas ideias e nomenclaturas são símbolos que expressam a natureza meramente humana ou terrena do homem. É uma condição essencial do solo da terra que espinhos, ervas daninhas e árvores infrutíferas possam crescer a partir dele. Relativamente falando, isso é mau; é simplesmente o estado inferior e o produto mais baixo da natureza. (‘Abdu'l-Bahá, Promulgation of Universal Peace, pp. 294-295)
E ainda:
"O significado da serpente é apego ao mundo humano." (‘Abdu'l-Bahá, Some Answered Questions, cap. 30)
Por outras palavras, Satanás é uma personificação do mal, não uma personalidade maligna. E acreditar em Cristo, sem exigir uma crença simultânea em Satanás, reconsidera a pessoa e a obra de Cristo de uma forma revolucionária e revitalizante.

Quando entendemos Satanás como um símbolo e não como uma realidade, podemos começar a entender a perspectiva Bahá'í sobre o mal como a regra de ferro do carácter ignóbil, em contraste com a regra de ouro do carácter nobre.

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Texto original: Satan’s Epitaph (www.bahaiteachings.org)

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Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.

domingo, 24 de setembro de 2017

A minha amiga que tentou suicidar-se

Por David Langness.


Tive uma amiga no ensino secundário, viva e magnética, com cabelo ruivo flamejante. Um dia ela parecia que estava um pouco triste e desanimada. Quando vinha da escola e regressava a casa, parei na casa dela e perguntei-lhe: "Tu estás bem?"

E enquanto ficámos frente a frente, à porta da casa, ela não resistiu e começou a soluçar. As lágrimas caíam como dois rios sobre a sua face. Aproximei-me e abracei-a; ela chorou ainda mais e todo o seu corpo se afundou um choro convulsivo.

Após cerca de dez minutos, ela mostrou-me um enorme frasco de comprimidos que tinha na mão. "Estava quase a tomar isto tudo", disse ela. E acrescentou que tinha feito uma promessa silenciosa a si própria: que, se durante todo aquele dia, ninguém lhe perguntasse como é que ela estava, ela suicidar-se-ia.

Aconteceu que o seu namorado tinha terminado a relação com ela no dia anterior, e, na mesma noite, o seu pai anunciou que ele e a sua mãe se iam divorciar. A minha amiga sentiu que a sua vida esta a desabar e que nunca mais voltaria a ser feliz. Por isso, decidiu acabar com a sua vida, a menos que alguém interferisse. Por sorte, e sem saber disso, eu interferi nos seus planos.

Sentámo-nos na sala de estar e conversámos. Eu ainda não era Bahá’í, mas disse-lhe que os ensinamentos Bahá’ís, tal como os ensinamentos de todas as grandes religiões, proíbem o suicídio. A vida é considerada como uma oferta do Criador:
Deus criou o homem sublime e nobre, tornou-o um factor dominante na criação. Especializou o homem com favores supremos, conferiu-lhe mente, percepção, memória, abstracção e os poderes dos sentidos. Estas dádivas de Deus para o homem tinham como objectivo fazer dele a manifestação das virtudes divinas, uma luz radiante no mundo da criação, uma fonte de vida e um agente construtivo nos campos infinitos da existência. Devemos, pois, destruir este grande edifício e as suas próprias fundações, derrubar este templo de Deus, o corpo social ou político? (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 352)
Todos os anos, em todo o mundo, há quase um milhão de pessoas que se suicida - e isso sem contar com os excessos de drogas ou álcool, muitas vezes rotulados como "morte acidental", mas que são realmente intencionais. Imagine o que essas almas abandonadas poderiam ter dado à humanidade e ao mundo se tivessem decidido viver. Imagine os danos permanentes que as suas mortes causam nos seus entes queridos. Imagine, também, o que poderia ter acontecido se elas tivessem decidido superar pacientemente os seus testes e provações, e reconhecer que os caprichos da vida significam que nossos problemas acabam por passar:
Não deveis ferir-vos ou suicidar-vos... Não é permitido... Se alguém, em algum momento, encontrar situações difíceis e intricadas, deve dizer a si próprio: "Isto em breve passará." (‘Abdu'l-Bahá, Star of the West, Volume 7, p. 280)
A minha amiga, que tinha 15 anos naquela altura, não pôs termo à sua vida. Cresceu, teve um casamento feliz, foi mãe de três filhos maravilhosos, que hoje são adultos e têm os seus próprios filhos. Ela também se tornou uma artista de sucesso, cujas belas pinturas valorizaram milhões de vidas.

No entanto, os ensinamentos Bahá’ís não condenam, nem castigam, aqueles que põem termo às suas próprias vidas. Apesar das leis Bahá’ís proibirem o suicídio, os Bahá’ís entendem que algumas pessoas simplesmente não conseguem enfrentar outro momento neste plano difícil da nossa existência. Na verdade, os ensinamentos Bahá’ís consideram o suicídio como triste e deplorável - mas também reconhecem o ímpeto subjacente que todas as pessoas enfrentam e vêem-no com piedade e compaixão. Essa compreensão amável, exemplificada nesta carta de ‘Abdu’l-Bahá a uma mulher cujo marido acabara com a sua própria vida, assegura-nos que as condições de depressão grave, angústia e tristeza que levam ao suicídio serão aliviadas no próximo mundo:
Ó buscadora do Reino! A tua carta foi recebida. Escreveste sobre a grave calamidade que te aconteceu - a morte do teu respeitável marido. Esse homem honrado foi sujeito a tamanho stresse e tensão neste mundo que o seu maior desejo era libertar-se dele. Assim é esta morada mortal: um armazém de aflições e sofrimento. É a ignorância que o liga ao homem, pois nenhum conforto se pode assegurar a qualquer alma neste mundo, desde o monarca até o mais humilde dos plebeus. Se, numa ocasião esta vida oferece um cálice doce a um homem, seguir-se-ão cem amargos; essa é a condição deste mundo.

O homem sábio, portanto, não se liga a esta vida mortal e não depende dela; em alguns momentos, até, ele desejará ansiosamente a morte, para que, com isso, se possa libertar dessas dores e aflições. Assim, vê-se que alguns, sob extrema pressão da angústia, se suicidaram.
Quanto ao teu marido, tem a certeza: ele será imerso no oceano de perdão e da indulgência e tornar-se-á o receptor da graça e do favor. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, nº 170)
Hoje, 10 de Setembro, é o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. A Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio tem uma série de sugestões no seu site para ajudar quem pensa em suicidar-se. Também descreve os casos de muitas pessoas suicidas que não queriam morrer, mas preferiram que alguém interferisse e as parasse - que esperavam e procuravam activamente alguém que sentisse o seu desespero e lhes perguntasse se elas estavam bem.

Às vezes, as pessoas suicidas dizem que fizeram uma promessa a si próprias: que se alguém lhes perguntasse, contariam tudo e permitiriam que interferissem, tal como aconteceu com a minha amiga ruiva.

A próxima vez que um amigo, um membro da família ou algum estranho parecer estar em baixo ou deprimido, você vai perguntar-lhe?

Todos sabemos que a vida é preciosa e, por vezes, precária. Durante algum momento particular de grande sofrimento, depressão ou tristeza, quase toda a gente pensa que a morte pode ser mais fácil do que a vida. Então, perder um minuto para falar com alguém e perguntar-lhes se está bem - seja um estranho, um amigo ou um familiar próximo - pode mudar o rumo daquela vida, e da sua também.

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Texto original: My Friend Who Tried to Kill Herself (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O que eu aprendi com o furação Irma

Por Rebecca Sherry Eshraghi.


Vivo na Flórida, exactamente no trajecto de destruição do furacão Irma. Por sorte, a minha família e eu saímos a tempo.

O Irma causou uma tremenda devastação na Flórida e nas ilhas das Caraíbas, por isso sinto-me abençoada por ter conseguido sair antes que a tempestade chegasse, e porque a nossa casa sofreu estragos mínimos. Claro que fiquei extremamente preocupada com todos aqueles que não puderam partir.

Vocês aperceberam-se? Aparentemente está a ocorrer um aumento de desastres naturais em todo o mundo. Há quem defenda que sempre foi assim, e há outros que dizem que aumentaram em frequência e intensidade. Eu costumo concordar com estes últimos.

Por isso, pergunto-me a mim e aos outros: porquê? Quem têm uma visão científica geralmente acredita que é devido às alterações climáticas, e quem tem uma visão mais religiosa diz que é profecia e ira de Deus. E há ainda quem diga, simplesmente, que é assim que a natureza funciona. Como Bahá’í, eu sou religiosa - mas, como todos os Bahá’ís, também acredito fortemente na ciência e tento encontrar as ligações entre os dois em relação aos desastres naturais.

Os ensinamentos Bahá’ís dizem que a natureza é governada por uma lei universal, e que a religião e a ciência concordam nas suas verdades essenciais:
... a natureza está sujeita a uma sólida organização, a leis invioláveis, a uma ordem impecável e a uma concepção perfeita, das quais nunca se afasta. Até certo ponto, é verdade que se a contemplasses com olhos da percepção e do discernimento, observarias que todas as coisas - desde o menor átomo invisível até aos maiores globos do mundo da existência, tais como o sol ou outras grandes estrelas e corpos luminosos - estão perfeitamente organizadas, no que diz respeito à sua ordem, à sua composição, à sua forma exterior ou ao seu movimento, e que todas estão sujeitas a uma lei universal da qual nunca se afastarão. (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, newly revised edition, p. 3)
Assim, a natureza tem uma ordem - mas não tem consciência, nem livre vontade - e reage à manipulação de forças externas. Nós, os seres humanos, somos parte da natureza; mas porque temos consciência, intelecto e espírito, acreditamos que estamos acima da natureza, principalmente porque conseguimos influenciar a natureza em grande parte para nosso favor.

Há vários anos que tenho estado a estudar microbiota com fascínio. A microbiota humana é o nosso ecossistema interno, especialmente no nosso intestino, o sistema digestivo. As evidências científicas mostram que os biliões de micróbios que residem nos nossos corpos podem influenciar a nossa saúde intestinal, afectando os nossos riscos de obesidade, diabetes, saúde do cólon, sistema imunitário, causando cancro e outras coisas. Manipular esse mundo microbiano invisível dentro de nós afecta muitas partes do nosso corpo e o corpo como um todo - até pode afectar a nossa função cerebral. O facto de pequenos micróbios invisíveis que residem dentro de nós poderem ser tão poderosos recorda-me o que ‘Abdu’l-Bahá explicou, de que existe uma ordem desde o micromundo dos átomos até ao macromundo dos planetas.

Se retirarmos um electrão do átomo ou adicionarmos um protão, criamos um novo átomo. Essa manipulação também se aplica ao macromundo.

Se temos uma poluição maciça numa parte do mundo, exploração excessiva de petróleo noutra parte do mundo, consumismo e materialismo extremo que causa lixo supérfluo, como equipamentos electrónicos usados, resíduos nucleares e outras coisas, então estamos a manipular e a devastar o nosso meio ambiente.

Quando visitei a Alemanha no verão passado, pude observar o esforço que a Alemanha faz para proteger o meio ambiente. Não sabia se devia ficar feliz ou triste, porque sabia que noutras partes do mundo não se faz 1% do esforço que a Alemanha faz na protecção do meio ambiente e senti que não era justo.

Agora, a questão: "O que é que a religião e a profecia têm a ver com isso?" Bem, enquanto há quem pense que os chamados " desastres naturais" são a ira de Deus, eu diria que são uma consequência de ignorar os mandamentos de Deus.

A Fé Bahá’í afirma que a ciência e a religião devem andar de mãos dadas. Apesar de termos feito um grande progresso científico no mundo e termos construído civilizações tecnologicamente avançadas, se a ciência for conduzida sem valores religiosos e morais, torna-se mais prejudicial do que útil. A ciência precisa ser conduzida sem o objectivo da ganância, com a mais alta integridade em relação aos resultados obtidos, para responder a todos e não apenas a alguns, com respeito pela natureza, e com a percepção de que somos parte da natureza e precisamos trabalhar com ela, e não contra ela.

Os Bahá’ís reconhecem que, em última análise, o mundo tem que se unir como um todo para resolver os graves problemas globais. Assim como os membros de um corpo não podem ser separados, o mundo não deve ser considerado segregado - porque o que acontece numa parte do mundo afectará as outras partes. Se não respondermos a este apelo para nos unirmos num esforço humano colectivo, Bahá’u’lláh adverte-nos:
Ó povos do mundo! Saibam, em verdade, que uma calamidade imprevista vos persegue, e esse castigo severo vos aguarda. Não pensem que os actos que cometeram foram apagados da Minha vista. (SEB, CIV)

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Texto original: What Hurricane Irma Taught Me (www.bahaiteachings.org)

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Rebecca Sherry Eshraghi é uma Bahá'í que vive na Flórida. É casada e tem dois filhos. Cresceu na Alemanha num ambiente multicultural, onde obteve o seu diploma em Negócios Internacionais. Recentemente concluiu o doutoramento em Medicina Natural.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A soberania terrena...


Foto de 1910, tirada em Londres por ocasião do funeral de Eduardo VII.
Em pé: Reis da Noruega, Bulgária, Portugal, o Kaiser da Alemanha, os Reis da Grécia e da Bélgica.
Sentados: Reis de Espanha, Grã-Bretanha e Dinamarca.

sábado, 16 de setembro de 2017

O fosso crescente entre a Teologia e a Moralidade

Por Behrooz Sabet.


Ao longo da história humana, discutimos sobre a religião. Os ensinamentos Bahá’ís dizem que esse tipo de discórdia deve parar.

Bahá’u’lláh - o profeta e fundador da Fé Bahá’í - proclama que os diferentes entendimentos sobre o estatuto de um profeta são permitidos, desde que não se tornem a causa de desavenças e discórdia entre as pessoas que os defendem.

Os Bahá’ís acreditam que as crenças teológicas não devem ser motivo de querelas e conflitos entre a população. Bahá’u’lláh identifica inequivocamente a natureza e propósito da religião nestas palavras:
Ó filhos dos homens! O propósito fundamental que anima a Fé de Deus e a Sua Religião é a salvaguarda dos interesses e a promoção da unidade da raça humana, o fomentar do espírito de amor e camaradagem entre os homens. Não padeçam tornando-a uma fonte de dissensão e discórdia, de ódio e inimizade. É este o Caminho recto, o alicerce fixo e imóvel. (SEB, CX)
Além disso, as escrituras Bahá'ís afirmam que a existência de discórdia social é um sinal claro de que a religião se desligou da sua base espiritual e que, metaforicamente, Deus ocultou o Seu rosto das pessoas que usam a religião para promover a hostilidade e a intolerância entre a humanidade. Consequentemente, a sociedade, que é a arena de actuação da religião, perde o seu sentido de transcendência e degenera numa grande escala de hipocrisia nas mãos dos seus eclesiásticos.

Poder-se-ia dizer que Bahá’u’lláh, com o Seu mandamento de não lutar por motivos religiosos, avança uma ideia crítica - a ideia de que os conflitos teológicos entre o clero não resultam necessariamente numa ética prática da boa vontade. Sabendo como no passado, as diferenças teológicas causaram conflitos e derramamento de sangue, Bahá’u’lláh recusa-Se a promover qualquer fundamentalismo teológico. Em vez disso, Ele apresenta uma cultura de paz baseada em princípios morais que nos orientam sobre como lidar com outras pessoas.

A religião é amparada espiritualmente pela sua ligação a Deus, a Realidade Última. No entanto, ela opera no mundo, entre as pessoas e nas suas relações sociais. Quando a vontade de Deus é revelada ao mundo, encontra expressões relativas e finitas na mente das pessoas. A revelação, portanto, torna-se uma experiência individual, assim como uma realidade social.

Por exemplo, na noite de 22 de Maio de 1844, quando o Báb Se revelou a Mulla Husayn - a primeira pessoa a receber e abraçar a causa Bábi - essa revelação atingiu Mulla Husayn como um raio que entorpeceu as suas faculdades e, em última análise, deu-lhe força e transfigurou-o. No entanto, na sua totalidade, essa experiência permaneceu individual. Naquela noite, Mulla Husayn não alcançou o total conhecimento de Deus, mas teve uma experiência espiritual pessoal - um encontro que o obrigou a interagir com a sociedade e a envolver-se num processo de mudança social revolucionária.

O encontro da humanidade com a palavra de Deus funciona da mesma maneira. Podemos estabelecer uma ligação com a realidade espiritual última, mas o verdadeiro desafio do progresso espiritual significa traduzir essa ligação na dinâmica da civilização e do progresso social. Bahá’u’lláh ensina-nos que a força de sustentação da evolução social é a moralidade, o centro em torno do qual se desenvolvem os círculos concêntricos da realidade social. Neste contexto, o conceito de espiritualidade está entrelaçado com a responsabilidade do individuo levar avante uma civilização em constante progresso.

Para os Bahá’ís, até o mais esotérico conceito de salvação pessoal se desenvolve no contexto dos contributos individuais para uma civilização mundial. O conceito de virtudes espirituais interiores - como a coragem, a honra, a veracidade e a lealdade - representa a fusão entre as acções individuais e a dinâmica da humanidade como um todo. Essas virtudes, de acordo com os ensinamentos Bahá’ís, encaminham-nos para uma civilização global, na medida em que promovem o princípio fundamental da unicidade da humanidade.

Assim, os ensinamentos Bahá’ís, como todas as outras religiões, enfatizam a moralidade, mas em dimensões muito maiores do que apenas as pessoais. Os ensinamentos Bahá’ís constituem um quadro conceptual que relaciona a moral e a religião com os processos orgânicos da expansão da civilização.

Por exemplo, desde o início da história da humanidade, as pessoas organizaram-se em unidades familiares, posteriormente conseguiu-se a solidariedade tribal, depois evoluiu-se para a constituição das cidades-estado, para a construção de nações independentes e soberanas, e agora, para o extraordinário empreendimento de construção um mundo unido e pacífico. Neste vasto processo histórico, podemos detectar várias expressões de ordem moral, que revelam a luta moral da humanidade para superar divisão e conflito, e conseguir a verdadeira universalidade.

Bahá’u’lláh traçou um paralelismo estrutural entre o ritmo evolutivo da ordem moral e a era da maturidade colectiva da raça humana - a emancipação da humanidade à medida que alcança o seu destino final de se tornar exteriormente e interiormente unida.

Este nível de unidade global exemplifica a moralidade autêntica. No entanto, historicamente, na ausência de moral autêntica, falsas justificações têm sido usadas para alcançar o poder ou para tornar a decadência apetecível - e essa falsa moralidade muitas vezes tornou-se uma crença cultural partilhada ou a filosofia política de várias sociedades.

Bahá’u’lláh apresentou o conceito de moralidade autêntica como um modelo para a unidade - e libertar a civilização emergente do alheamento e do afastamento. Este ensinamento Bahá’í elimina qualquer base teológica para a justificação moral do conflito.

Essa autenticidade moral dá à religião uma unidade de propósito ao invés de desavença doutrinária - a própria causa de desunião e divisão na religião. Ao longo da história, os clérigos alegaram ter o exclusivo da compreensão do conhecimento divino e, portanto, a legitimidade moral para governar. Bahá’u’lláh considerou essa reivindicação como potencialmente opressiva, provocando posteriormente a violência sectária. Ao longo do Seu ministério, Bahá’u’lláh anulou a prática xiita do taqlid, ou imitação de clérigos, e revogou a guerra santa. Aboliu a instituição do sacerdócio e encorajou a investigação independente da verdade. Em vez do taqlid, Bahá’u’lláh enfatizou o poder da auto-reflexão e do consenso racional.

 Actualmente, a humanidade está envolvida numa disputa entre a consciência da ética global e uma catástrofe geopolítica; mas a ética global não pode sobreviver apenas com boas intenções. As instituições legítimas - como as criadas para a segurança colectiva e a aplicação do direito internacional - são primordiais para contrariar os interesses particulares e a selvajaria brutal que se escondem sob o verniz da nossa civilização. Ao mesmo tempo, o ressurgimento de ortodoxias fanáticas que promovem a intolerância religiosa e a tirania ameaçam directamente a segurança internacional e a paz da raça humana. E porque este fanatismo religioso está actualmente em ascensão, alimentando o conflito global, o mundo está numa encruzilhada: o fim da fé religiosa ou um apelo a um novo modelo de fé e ética global?

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Texto original: The Widening Breach Between Theology and Morality (www.bahaiteachings.org)

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Behrooz Sabet é professor universitário, doutorado pela State University de Nova Iorque, em Buffalo. Durante mais de 20 anos fez estudos e investigações sobre os cruzamentos entre religião, ciência e cultura no Médio Oriente. É um estudioso de religião, movimentos e pensamento político contemporâneo no Irão. Traduziu e escreveu muito sobre religião, ética, educação, filosofia e temas sociais.

sábado, 9 de setembro de 2017

Podemos caçar e comer animais?

Por Derrick Stone.


Ser bondoso para com os animais significa não os comer?

Caçar animais pela carne tem uma longa tradição na história humana. No entanto, em muitas culturas, a caça tornou-se uma história do passado, à medida que a agricultura moderna foi afastando as famílias do processamento da carne, e as pessoas ficaram menos habituadas a abater e desmanchar animais. Consequentemente, os caçadores desenvolveram uma dupla imagem: tanto parecem figuras históricas nostálgicas como atormentadores de animais.

Os ensinamentos Bahá’ís pedem-nos para sermos bondosos para com os animais:
Não sobrecarregueis um animal com mais do que ele pode suportar. Em verdade, proibimos esse tratamento através da mais firme interdição registada no Livro. Sede as personificações da justiça e da equidade entre toda a criação. (Bahá’u’lláh, The Most Holy Book, ¶187)
Isto cria um sério dilema: podemos ser bondosos com os animais e, ainda assim, comê-los? Em várias cartas, 'Abdu'l-Bahá indicou que, se considerarmos o nosso aspecto físico, temos partes do corpo de herbívoros (não temos garras, por exemplo), e que a carne um dia desaparecerá das nossas dietas:
Qual será a alimentação do futuro? Frutas e grãos. Virá o tempo em que a carne já não será consumida. A ciência médica está apenas na sua infância, mas mostrou que a nossa dieta natural é aquela que cresce a partir do solo. As pessoas desenvolver-se-ão gradualmente até a condição deste alimento natural. (‘Abdu’l-Bahá, Bahá’í Scriptures, p. 453)
Será que isso implica que os Bahá’ís devem abandonar a prática da caça? Devem todos os Bahá’ís tornar-se vegetarianos? Talvez não. Bahá’u’lláh também estabeleceu orientação para os Bahá’ís em relação à caça:
Ao caçar com a ajuda de animais ou aves de rapina, invocai o Nome de Deus quando os enviares em perseguição da sua presa; pois o que quer que capturem ser-vos-á lícito, mesmo que a encontreis morta. Ele, verdadeiramente, é o Omnisciente, o Informado de Tudo. No entanto, acautelai-vos para não caçar em excesso. Trilhai o caminho da justiça e da equidade em todas as coisas. (The Most Holy Book, ¶60.)
Em resposta a uma pergunta sobre "o consumo de animais inocentes", ‘Abdu’l-Bahá escreveu:
Não te surpreendas com isso. Reflecte sobre as realidades interiores do universo, as sabedorias ocultas envolvidas, os enigmas, as inter-relações e as leis que governam tudo. Pois cada parte do universo está ligada a todas as outras por laços que são muito poderosos e não admitem qualquer desequilíbrio ou enfraquecimento. No reino físico da criação, todas as coisas se alimentam e são alimento: a planta absorve o mineral, o animal morde e engole a planta, o homem alimenta-se do animal e o mineral devora o corpo do homem. Os corpos físicos passam uma barreira após outra, de uma vida para outra, e todas as coisas estão sujeitas a transformação e mudança, salvo unicamente a essência da própria existência - pois esta é constante e imutável e nela baseia-se a vida de todas as espécies e raças, de toda a realidade contingente em toda a criação. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, #137)
Isso significa que os Bahá’ís devem caçar, ou que os Bahá’ís devem comer carne com prazer? (Este é um caso em que os ensinamentos Bahá’ís, à primeira vista, podem parecer contraditórios.) Numa palavra: não. Esses ensinamentos não são contraditórios na perspectiva dos princípios espirituais em causa. O princípio principal é: as pessoas devem ser saudáveis! Precisamos de uma dieta variada que nos forneça todos os componentes necessários ao corpo humano, incluindo vitaminas, minerais, proteínas, fibras e gorduras.

As pessoas em países materialmente prósperos podem ter acesso a uma grande variedade de alimentos que não contêm carne e que podem constituir uma dieta bem equilibrada; mas aqueles que vivem noutros países não podem. Os ensinamentos Bahá’ís, destinados a toda a raça humana, deixam bastante espaço para todos.

Então, sim, devemos praticar a bondade para com todas as coisas, incluindo animais. À medida que aprendemos mais sobre nutrição e agricultura eficiente, os humanos não precisarão de usar animais para alimentação nas quantidades que precisam hoje. Além disso, será mais barato produzir grandes quantidades de vegetais e grãos; um factor crítico a considerar se queremos evitar que a população mundial em rápido crescimento sofra fome.

Isto ilustra o poder crítico do pensamento espiritual ao considerar duas perspectivas de um problema que podem parecer contraditórias. Este entendimento fundamental dos ensinamentos Bahá'ís pode ajudar-nos a navegar no mundo dividido de hoje e evitar confrontos destrutivos que surgem em questões em que dois lados não encontram um espaço comum – incluindo a alimentação com carne. No entanto, com um entendimento espiritual elevado, uma perspectiva global que inclui todas as culturas e um foco na saúde humana, podemos resolver o conflito.

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Texto original: Should We Hunt and Eat Animals? (www.bahaiteachings.org)

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Derrick Stone é Bahá’í, marido, pai e dono de um cão. Trabalha na Universidade da Virgínia, onde é Director de Desenvolvimento de Software para o Sistema de Saúde, e professor do Departamento de Ciência da Computação.