sábado, 26 de agosto de 2017

O Messias apareceu?

Por Marty Schirn.


Os livros sagrados das principais religiões mundiais contêm inúmeras promessas e profecias sobre o aparecimento de uma figura messiânica.

Esta figura messiânica, dizem essas previsões, aparecerá no Dia do Juízo, no Dia de Deus ou no "fim dos tempos" para estabelecer o reino de Deus na Terra. Cada religião tem um nome ou título diferente para essa figura messiânica, mas as profecias são notavelmente parecidas.

Os Cristãos aguardam o regresso de Cristo. Os Judeus esperam o Messias. Os Muçulmanos aguardam o Mahdi. Os Budistas aguardam o Buda Maitreya. Os Zoroastrianos aguardam o Shah Bahram. Os Hindus aguardam o Décimo Avatar de Krishna. E mesmo as religiões indígenas norte-americanas e sul-americanas contêm esse tipo de profecias. Por exemplo, os índios Shoshone esperam o Grande Redentor.

Quem tentar entender apenas o sentido literal de todas estas profecias, vai perceber contradições entre elas e as contradições com a ciência e a razão. No entanto, quem interpretar estas profecias simbolicamente, perceberá que elas concordam com a ciência e a razão, e que todas se encaixam de forma consistente.

Os Bahá’ís acreditam que estas profecias foram cumpridas por Bahá’u’lláh, o profeta fundador da Fé Bahá’í.

Bahá’u’lláh fez duas afirmações ousadas. Em primeiro lugar, declarou que Ele era o mensageiro de Deus para esta era, tendo a mesma autoridade divina, o mesmo Espírito Santo, o mesmo poder divino, que Moisés, Buda, Cristo, Maomé e os outros fundadores das principais religiões do mundo.

A Sua segunda afirmação é ainda mais desafiadora. Ele declarou ser o Messias prometido predito em todas as profecias, em todos os livros sagrados das religiões do mundo.

Bahá’u’lláh declarou que a Sua missão era nada menos do que o estabelecimento do Reino de Deus na Terra - a unificação de toda a raça humana numa civilização espiritual globalmente abrangente, baseada nos princípios divinos da justiça e do amor, e cuja palavra de ordem será "Unidade na Diversidade", não uniformidade.

Se considerarmos esta segunda afirmação só por si, o que nós, Bahá'ís, estamos a dizer é isto: as religiões do mundo atingiram a sua consumação e cumprimento com o aparecimento de Bahá’u’lláh. Cristo regressou há mais de 150 anos, e o mundo não percebeu, tal como não percebeu na primeira vez que Ele surgiu.

Fortaleza de 'Akka
Devido a estas afirmações e ensinamentos, o clero muçulmano condenou Bahá’u’lláh como apóstata, louco e herege. Perseguiram insistentemente Bahá’u’lláh e os Seus seguidores. Os Seus bens foram confiscados; Ele foi humilhado, ridicularizado, apedrejado, envenenado e espancado. Foi encarcerado numa masmorra subterrânea obscura, que era fria, húmida e estava infestada de vermes. No Seu pescoço foi colocada uma corrente pesada; Seus pés foram amarrados. Foi exilado quatro vezes; de Teerão, na Pérsia, para Bagdade, no Iraque; depois para Constantinopla e Adrianoplis (actual Edirne), no Império Otomano; e por fim para uma terrível colónia penal de Akka, na Palestina. Viveu a maior parte de Sua vida como prisioneiro, apenas devido aos Seus ensinamentos.

Ele nunca cometeu qualquer delito ou crime. Mas o clero muçulmano colaborou com os governos persa e otomano, fazendo tudo o que estava ao seu alcance para tentar destruir o que sentiam ser uma heresia perigosa e de rápido crescimento. Apesar desta intensa perseguição, Bahá’u’lláh escreveu mais de cem volumes revelando o plano de Deus para o estabelecimento de uma paz universal e duradoura.

Hoje, a Sua fé expandiu-se tremendamente - a Fé Bahá’í espalhou-se por todo o planeta e tornou-se a segunda religião mais disseminada no mundo. Mas na segunda metade do século XIX, os ensinamentos de Bahá’u’lláh foram considerados revolucionários: a unicidade de Deus, a unidade da humanidade, a unicidade da religião, a redução do fosso entre ricos e pobres, a eliminação de todos os tipos de preconceito, a igualdade entre homens e mulheres, a harmonia de ciência e religião, a investigação independente da verdade, uma linguagem auxiliar universal, a educação obrigatória universal e - acima de tudo - a transformação e unificação espiritual de toda a raça humana.

Bahá’u’lláh escreveu cartas a todos os governantes de seu tempo: Napoleão III, Rainha Victoria, Papa Pio IX e outros. Nas Suas cartas, Bahá’u’lláh proclamou ser o Prometido, e ordenou aos reis e aos governantes que se unissem e desarmassem pacificamente. Advertiu-os sobre as graves consequências se eles não obedecessem aos Seus mandamentos, e deixou claro que, independentemente das respostas, a vontade de Deus acabaria por prevalecer. A paz mundial, disse Ele, era inevitável.

Há milhares de anos que os povos têm aguardado e orado para que Deus envie o Seu Messias, pelo aparecimento do Prometido que unifique a raça humana e estabeleça o Reino de Deus na terra. Os Bahá’ís acreditam que chegou esse momento.

É uma afirmação tremenda, não é? Os Bahá'ís reconhecem a magnitude dessas declarações, mas não as impõem a ninguém. Em vez disso, os ensinamentos Bahá’ís convidam todas as pessoas a examinar estas declarações e a decidir por si próprias, se são verdadeiras ou não. Qualquer pessoa pode acreditar nos ensinamentos Bahá’ís; mas tornar-se Bahá’í significa aceitar estas duas declarações de Bahá’u’lláh como verdadeiras. Bahá’u’lláh afirmou:
Chegou o momento predestinado para os povos e raças da terra. As promessas de Deus, conforme registadas nas Sagradas Escrituras, foram cumpridas. ... Feliz o homem que pondera no seu coração o que foi revelado nos Livros de Deus, o Auxílio no Perigo, o Que Subsiste por si Próprio. Meditai sobre isto, ó amados de Deus, e que os vossos ouvidos estejam atentos à Sua Palavra, para que possais, pela Sua graça e misericórdia, beber plenamente das águas cristalinas da constância e tornar-vos firmes e inalteráveis como uma montanha na Sua Causa. (SEB, X)

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Texto original: Has the Messiah Returned? (www.bahaiteachings.org)

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Marty Schirn é um Bahá’í de origem Judaica. Estudou psicologia e administração de empresas. Viveu em Chicago, onde trabalhou no jornal Chicago Tribune e como guia no Templo Bahá’í de Chicago. Actualmente, vive em Tucson, no Arizona (EUA)

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